DÁ-ME ÁGUA, PELO AMOR DE DEUS.

Oportuno e de excelente teor o artigo publicado pela Dra. Socorro Magalhães no jornal Diário do Nordeste, edição de 15 de novembro último, retratando, com firmeza, as agruras dos nordestinos pela sequência de mais um ano de pouca chuva e longa estiagem.

Além de medica, onde se destaca como profissional de escol, Dra. Socorro também conhece os problemas que afligem a população campesina. Acompanhou, em situações semelhantes, o sofrimento de nossos irmãos do campo, pois seus pais, em Quixadá, sempre lideraram campanhas de assistência aos mais carentes, necessitados da solidariedade e da ajuda de espíritos caridosos.

Por isso, Dra. Socorro Magalhães escreveu, com tanta autenticidade, com a pena mergulhada no âmago de seu coração, o drama dos que vivem do amanho da terra.

Suas retinas fotografaram o sertão queimado pela inclemência de um sol abrasador. Açudes secos, com a areia dos rios molhada pelas lágrimas dos retirantes, deixando, em seus rastros, escrito a dor por serem expulsos do sertão, para desfilar o seu sofrimento e miséria no asfalto dos corredores iluminados das cidades e entre ricos edifícios mendigar a caridade pública, com a mão trêmula de vergonha, pela cruel humilhação.

Quando Dra. Socorro diz que a política brasileira é feita com a miséria de seus pobres, porque, sem cultura não entende o desumano jogo dos inescrupulosos políticos, afirma uma fidedigna e incontestável verdade.

Ao invés de adoção de providências que realmente atenuem os catastróficos efeitos da falta de chuvas preferem os políticos medidas direcionadas aos seus interesses, que lhes garantam rendimentos certos nas urnas eleitorais.

Por que as obras de transposição do Rio São Francisco ficaram paralisadas e parte destruída, se são tão importantes para a região nordestina? Por que não construir barragens para impedir que as águas dos rios se percam na imensidão do mar ao invés de permanecerem, ao nosso lado, puras como mandadas por Deus para gerar alimento e saciar a sede de todos nós?

O Imperador Pedro II prometeu que sacrificaria até o último brilhante de sua coroa, contanto que nenhum cearense morresse de fome ou de sede. Realmente cumpriu a promessa, dando início a um objetivo programa com a construção do Açude do Cedro em Quixadá. Com o advento do período republicano o projeto, por anos, foi esquecido.

O descaso e a desvalorização dos bravos nordestinos há muito é notório. O Presidente Afonso Pena, em 1906, visitou Quixadá e foi até o açude do Cedro. Ao percorrer a parede da bela obra, afirmou: “Não justifica construir no Nordeste um açude com tanto requinte técnico, ocasionando um investimento tão expressivo”.

Oportuno que se trouxesse o bispo Luís Flávio Cappio, que fez greve de fome repudiando o projeto de transposição das águas do São Francisco, para que ele ficasse angustiado, à beira das estradas, suplicando aos carros pipas que passavam um copo de água pelo amor de Deus. O carrasco, paramentado de sacerdote, negou água a mais de doze milhões de habitantes, preferindo que ela fosse despejada ao mar. Mesmo sofrendo e sendo injustiçado, o nosso povo conserva no coração a grandeza do perdão. Vendo a agonia do cruel algoz morrendo de sede dividiria com ele o pouco da água disponível, porque foi essa a mensagem de solidariedade e amor que Jesus pregou para seus seguidores.

Até quando os senhores detentores do puder e da força querem nos manter algemados para que permaneçamos como escravos nesta terra seca que tanto amamos?

CLEUMIO PINTO RADIALISTA DRT/CE 5687 - MATRICULA 7723

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *