CRUZ DE MINHA VIDA. com João Eudes Costa

Dizem que Quixadá tem a magia de conquistar a simpatia dos que chegam. A maneira amável como são recebidos os visitantes. A hospitalidade do quixadaense que já se tornou tradição. Tudo isso faz de nossa cidade o éden do amor. Em cada esquina que dobramos, deixamos atrás uma rua de saudade nas rosas amigas que enfeitam e perfumam a nossa passagem.

Não poderia ser outro o destino de uma cidade que tem o privilégio de viver sob o signo da Cruz do Senhor. Este cruzeiro, postado no centro da cidade, é o símbolo de nossa vida, a paz que nos envolve e a fé que conforta nos momentos de angústia e sofrimento.

Logo que abri os olhos para o mundo, foi essa cruz a primeira imagem que minhas retinas fotografaram. Somos irmãos gêmeos, pois nascemos no mesmo dia, nas sagradas missões religiosas, que marcaram, festivamente, a aposição daquele marco da fé cristã.

Tive a prerrogativa de ter como irmã a cruz da salvação, que retrata o sacrifício e o amor. Tenho razões para gostar tanto desta bendita irmandade. Fomos companheiros de uma infância feliz. À distância não nos separava. Bastava que ela me fitasse, logo via em seu sorriso um aceno de afeto. Corria rápido, subindo a elevação. Depressa chegava a seus pés. Enlaçado a seu corpo, sentia alívio a meu cansaço, encontrando a paz naquele confortante abraço fraterno. Estava seguro em seus braços. Como se a cruz pousasse em meu ombro, experimentava a agradável sensação de passear sobre as nuvens, espiando a cidade dos meus sonhos de criança.

Do alto, ouvíamos o soluçar dos que partiam saudosos, tendo, como última imagem de seu pesar, a cruz que, se afastando lentamente, abençoando o viajante tristonho. Vislumbrávamos, lá de cima, a alegria dos que chegavam banhados pela emoção, recebendo da cruz salvadora o abraço de uma cidade, onde não falta agasalho para os que chegam.

Por imposição do destino, passei algum tempo longe de nossa querida Quixadá. Na minha ausência nunca me esqueci da imagem desta cruz irmã. Quando a tristeza apertava o peito saudoso, era essa cruz amiga que me confortava. Através de seus braços abraçava pais, irmãos e amigos distantes.

Quando crescemos, a vaidade nos faz pensar que somos maiores e mais fortes do que nossas raízes. Ficamos distantes das coisas simples e puras, buscando um novo mundo capaz de abrigar as ambições e o nosso egoísmo. O tempo, todavia, é implacável. Quebra o orgulho e faz a prepotência curvar-se à realidade da vida.

Também tive, no meu caminhar, momentos de fraqueza, em que me distanciei da verdade e do amor. Quando percebi o erro, olhei para o céu. Estava a Cruz amiga, a sorrir, a me acolher, de braços abertos. Continuava bela e jovem, indiferente à corrosão do tempo. Parece que, a cada manhã, a cruz irmã renasce para a vida, trazendo nos braços a mensagem da eterna salvação.

Não sou mais aquele menino que escalava a pedra para o encontro fraternal de felicidade e sedução. Aquele entusiasmo transformou-se em prudência. Temo o percurso da íngreme caminhada. Já não tenho a certeza de poder chegar a seus pés.

Mais do que nunca, porém, tenho fé no seu amor e esperança de seu perdão. Mesmo não podendo subir para beijá-la, tenho a certeza que ela descerá do pedestal da glória para segurar a minha mão. Com o mistério da eterna juventude, conduzir-me-á em seus braços, dando-me forças para que a guarde, para sempre, no mais profundo de meu coração, e, um dia, possamos chegar, juntos, à presença de Deus.

CLEUMIO PINTO RADIALISTA DRT/CE 5687 - MATRICULA 7723

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *