“O Amor Pode Mais” – João Eudes Costa

Na luta desesperada pela sobrevivência, quando a enorme concorrência faz do homem um insensível robô, cada vez mais nos distanciamos de uma convivência fraterna, tranqüila e feliz.

Não temos tempo, nem interesse sequer, de olhar para o irmão ao nosso lado. A dor e o sofrimento do próximo não nos comovem, porque não nos interessa saber de sua angústia, nem rebuscar, dentro de nosso interior, forças para amenizar o padecimento, oferecendo o milagroso bálsamo da solidariedade humana.

Assim, distanciados, somamos problemas, multiplicamos sofrimentos e diminuímos a capacidade de nos ajudar mutuamente. Esquecemo-nos de dividir com os outros, aquilo que possuímos de mais importante e puro que é o amor.

Vivemos numa comunidade heterogênea, cada vez mais fraca, sufocada por problemas, que jamais terão soluções, porque não as encontramos buscando sozinhos envolvidos por um egoísmo doentio, que, cada vez mais, nos distancia da felicidade que, desesperadamente, perseguimos.

A prova dessa desunião torna-se patente quando desconhecemos os problemas do vizinho e irmão, por maiores que sejam, mesmo que tenhamos com ele constante e amistoso relacionamento.

Em Quixadá, por exemplo, muitos conhecem o José Carlos, conhecido na intimidade por “Baixinho”. Figura modesta, porém querida. Pela maneira alegre e cortês de tratar a todos, José Carlos tem acesso às diversas classes sociais que compõem nossa comunidade.

Apesar do prestígio popular, poucos sabem dos problemas que enfrenta no seu dia a dia. Sua esposa Osmarina, portadora de grave doença, teve de amputar as duas pernas. Em seguida, perdeu a visão. Duas vezes, por semana, desloca-se a Fortaleza, onde é submetida à hemodiálise.

Sem meios para se deslocar sozinha, com a visão comprometida, Zé Carlos conduz sua esposa para o hospital, com dedicação e carinho, embora enfrentando dificuldades enormes, pois ganha por mês o mísero salário da fome, menos da metade do humilhante salário mínimo.

Diante desta narrativa, haverão de perguntar: Como um homem, com o salário de fome, sem recursos, consegue manter um tratamento tão dispendioso, especialmente numa pessoa mutilada, cujo deslocamento já se constitui um sério problema?

Realmente, isto seria impossível se Zé Carlos não fosse um espírito extraordinário, com admirável capacidade de solidariedade humana. Outros interrogarão: É justo imputar tantos encargos a um homem tão pobre? Não se lembram que Deus, na Sua suprema sapiência, não iria entregar uma filha deficiente nas mãos de um desalmado tirano. Se o Criador confiou Osmarina aos cuidados de Zé Carlos, é porque viu na grandeza de seu coração, na sua generosidade, na dedicação ao próximo, a essência da criação divina.

Deus deu forças às pernas de Zé Carlos para conduzirem sua esposa enferma ao caminho do amor. Os seus olhos mostram a Osmarina um mundo muito mais belo do que aquele que ela enxergou. As mãos de Zé Carlos têm a força misteriosa que haverá de conduzir Osmarina à presença do Pai. Com alegria, Jesus receberá intacta, sempre bela e perfumada, a frágil flor com que enfeitou a terra.

Se os homens não entendem a beleza das rosas divinas e não são capazes de protegê-las com dedicação e carinho, inebriando-se com o néctar de seus perfumes, de volta ao céu, elas continuarão perfumando o mundo, mostrando que na terra, ao meio de tanta maldade e violência, ainda há pessoas dignas da confiança dos desígnios de Deus.

Vamos seguir o exemplo de humildade e resignação de Zé Carlos. Façamos que as nossas pernas caminhem em socorro dos que delas necessitam. Que nossos braços enlacem e amparem os que fraquejam. Que nossas mãos acolham os que, aflitos, pedem apoio. Que nossos olhos iluminem os caminhos dos que, na escuridão, possam tropeçar e cair. Finalmente, que nossos corações se abram para abrigar os que necessitam de carinho, de solidariedade e amor.

Jesus vive a nos lembrar, que a cruz do irmão, também deve ser a nossa. Todas as vezes que a nossa covardia não permitir ajudar os que agonizam, estamos fazendo reviver o suplício do Calvário. Chicoteamos e fazemos Cristo cair, magoamos suas chagas, exigindo que novamente conduza sozinho o pesado madeiro onde, outra vez, será crucificado o Mártir do Gólgota.

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CLEUMIO PINTO RADIALISTA DRT/CE 5687 - MATRICULA 7723

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